Quem diria que o filme Os Infiltrados (2006) foi uma versão ocidental de um filme policial do Japão? E, além de ser baseado em uma produção anterior, muitos dos diálogos e cenas as quais adoramos já haviam sido produzidas 4 anos antes? Mas é claro que o roteiro original não incluía a atuação de Leonardo Di Caprio, Matt Damon e uma trilha sonora sem igual.
O filme Infernal Affairs (2002) é um atípico Hong Kong thriller no qual o foco é a confusão psicológica dos infiltrados que esquecem suas verdadeiras identidades, muito diferente de muitos filmes policiais que não há intervalos entre as cenas de luta. A trama do filme é única, envolvente e muito atrativa. Os diretores (Wai-keung Lau , Alan Mak), entretanto, preferiram trabalhar o tempo o filme de uma forma bem acelerada, não perdendo tempo até em cenas de tensão (quando os infiltrados entram em contato, por exemplo). Como muitos assistiram a versão de Martin Scorsese antes, é difícil se satisfazer com a falta de detalhes do psicológico das personagens os quais foram apresentados superficialmente. Não apenas o conflito pessoal dos infiltrados foi pouco trabalhado, mas a explicação das atitudes dos mesmos deixa a desejar; inesperadamente, um dos infiltrados decidia seguir ou matar alguém e não tinha uma apresentação de fatos para entendermos os motivos.
As cenas são ótimas e os diálogos são muito bem elaborados, tanto que sua versão americana traz quase as mesmas frases em vários momentos; porém a velocidade com que os eventos passam quebra o suspense e a surpresa do excelente roteiro. Para notar claramente essa diferença, é só comparar a duração dos filmes: enquanto o primeiro dura apenas 1h40, o segundo chega a 2h32.
A escalação de Scorsese foi genial: Jack Nicholson, Martin Sheen, entre outros atores. Eles mergulham tanto nos personagens que fica difícil imaginar qualquer outro ator no lugar deles. Não quero tirar o crédito dos atores originais, eles cumpriram bem o papel; mas todos nós concordamos que não vemos seus filmes por aqui. E são culturas diferentes, a forma com que eles interpretam as emoções das personagens pode não agradar aos ocidentais, que estão acostumados com outro jeito de expor as emoções. Nas críticas que eu li, a atuação dos originais foi muito elogiada assim como a direção; logo, peritos em filmes asiáticos terão uma análise muito mais concreta e uma visão muito mais ampla sobre esses dois sucessos.




