Para quem pergunta o que tem de tão maravilhoso na franquia de “O Senhor dos Anéis” ou do “O Hobbit” gostaria de apresentar um pouco da história desse tal de J.R.R. Tolkien.
John Ronald Reuel Tolkien nasceu em 3 de Janeiro de 1892 em Bloemfontein, África do Sul, porém passou tão pouco tempo no continente africano que não a muito o que se falar. Mudou-se com seu irmão e sua mãe para Birmingham, Inglaterra (como uma visita familiar bem longa), entretanto seu pai morreu de febre reumática antes que pudesse viajar à Inglaterra; deixando-os sem muitos recursos financeiros. Não demorou muito para sua mãe falecer também, deixando Tolkien e Hilary órfãos e sob a guarda de um padre católico.
Por volta de seus sete anos, sua mãe o ensinou o básico do latim e do grego, resultando em um grande interesse por línguas. Notavelmente, Tolkien já relatou ter criado várias línguas além das apresentadas em seus livros sobre a Terra-Média. Ainda jovem, estudou linguística (Anglo-Saxônica principalmente) e literatura clássica na faculdade de Exeter, aprofundando cada vez mais seu conhecimento linguístico.
Um destaque de sua juventude foi se apaixonar por Edith Mary Bratt, entretanto o empecilho desse amor foi a divergência religiosa (a família dela era protestante enquanto ele era católico) o que fez os pais dela a proibirem de vê-lo. Isso não foi suficiente para separá-los, porque, em uma brecha da Primeira Guerra Mundial, os dois casaram-se. Como teve que ficar afastado de sua amada por causa da Guerra, Tolkien uma vez escreveu:
Uma dezena de oficiais subalternos eram mortos por minuto… Separar da minha mulher, então… era como uma morte.
Tolkien saiu ileso da Guerra, apesar de ter perdido alguns amigos, mas escreveu importantes passagens que inspirariam algumas partes da história do livro “O Silmarillion” e também algumas e de “O Senhor dos Anéis”. Ao retornar à Inglaterra com uma febre comum nas trincheiras, passou vários meses em recuperação; período no qual iniciou o chamado “Contos Inacabados” (“The Book of Lost Tales”).
Seus primeiros trabalhos incluem desde estudar a origem germânica de palavras iniciadas pela letra W para o Dicionário Inglês de Oxford até lecionar na Universidade de Leeds, em 1924, sempre trabalhando em seus vocabulários élficos baseados no Anglo-Saxão, Galês e Finlandês. Durante seu em trabalho em Leeds, Tolkien colaborou com o professor E. V. Gordon na tradução de Pearl and Sir Orfeo, importante poema da história inglesa, o qual foi publicado na imprensa da Universidade de Oxford em 1925. Mais tarde, a universidade o contratou como professor, sendo muito influente no meio (“Beowulf: The Monsters and the Critics” (1936) e “On Fairy Stories” (1939) são obras que se tornaram importantes para o estudo Anglo-Saxão)
Foi como professor da Universidade de Oxford que um dia Tolkien, em sua sala corrigindo provas, encontrou uma prova em branco de um de seus alunos. Decidiu, então, preenchê-la com a famosa frase que inicia uma de suas grandes obras:
Numa toca no chão vivia um hobbit.
Mas o que seria um hobbit? No primeiro momento nem o autor dessa frase sabia exatamente o que era um hobbit; entretanto, utilizando seu vasto conhecimento linguístico, logo criou um significado.
Tolkien sempre inventava histórias extraordinárias para seus filhos, com criaturas e terras mágicas. “O Hobbit” foi uma história criada a partir daquela pequena frase, como uma história infantil para seus filhos. A obra foi publicada em 1937 e encantou muitas pessoas com a originalidade das raças, línguas e eventos da Terra-Média, a qual foi premiada.
Logo após o sucesso de “O Hobbit”, a editora estava ansiosa para publicar o trabalho que Tolkien havia iniciado durante a conclusão do livro anterior. Esses rascunhos se tornaram uma grande obra chamada “O Senhor dos Anéis”. O professor dizia que esse “conto era criado conforme era contado” por ter começado a história sem saber sobre o que escrever. A editora, no entanto, não queria publicar o livro imenso livro criado, chegando a conclusão de que seria melhor dividi-lo em três partes (publicadas entre 1954 e 1955).; assim não espantariam o público que estava sedento por mais histórias da Terra-Média.
Na época os livros (“A Sociedade do Anél”, “As Duas Torres” e “O Retorno do Rei”) não fizeram o sucesso esperado, atingindo uma grande popularidade após versões mais baratas quase dez anos depois.
Em 1971, sua esposa faleceu e após 21 meses, J.R.R Tolkien também. Foram enterrados no mesmo túmulo, sua esposa com “Lúthien” escrito em sua lápide (personagem da Terra-Média que foi inspirada nela) e Tolkien com “Beren”. Seu filho mais novo, Christopher, encarregou-se de terminar os manuscritos e de publicar o livro “O Silmarillion” (1977).
Priorizando os grandes feitos desse importante estudioso e escritor, deixo aqui minha contribuição para divulgar cada vez mais detalhes sobre o chamado “pai” da moderna literatura de fantasia. Grande professor, escritor, estudioso e um ótimo pai. Que a graça dos Valar o acompanhe.







