10 de jul. de 2013

Macacos não, chimpanzés

Acho que todos já assistiram ao último Planeta dos Macacos (2011) e com certeza ficou impressionado com a ideia da dominação do mundo por chimpanzés. Decerto, os efeitos especiais do filme faz parecer que realmente é possível que esses primatas possam fazer coisas inacreditáveis com sua força e inteligência. A tecnologia utilizada é conhecida mas ainda está sujeita a aperfeiçoamentos para transmitir uma imagem cada vez mais real (todos se lembram de Gollum?). Além da técnica de captura de movimentos, o ator por baixo do macaco Cesar é nada menos que Andy Serkis (o qual foi premiado por sua intacta performance na franquia O Senhor dos Anéis). Entretanto, estamos falando de mais uma exceção na qual a história do filme é tão grande que o uso de efeitos especiais sofisticados são um mero detalhe.

Começo apresentando o primeiro filme feito sobre a saga dos macacos: Planeta dos Macacos (1968), baseado diretamente do romance francês La Planète des singe (Planeta dos Macacos), de Pierre Boulle. O filme trata da história de Taylor, um astronauta americano que cai com mais três astronautas em um mundo totalmente desconhecido, mas com uma aparência bem familiar. Após matar dois astronautas, os chimpanzés capturam Taylor junto a alguns humanos (humanos não falam e são “animalizados”), porém o astronauta chama a atenção de uma macaca que estuda humanos com alguns sinais de inteligência (depois que o ferimento em sua garganta sara, passa a falar também). Apesar de ser muito antigo, não há efeitos ou produções precárias, muito pelo contrário, o filme utiliza máscaras bem acabadas e uma produção excepcional ao mostrar detalhadamente a inversão de papéis (homem atrás das jaulas e o macaco o humilhando). Uma história envolvente e um clássico que mexe com a cabeça de quem assistiu.


A franquia possui mais quatro filmes: Além do Planeta dos Macacos (1970), Fuga do Planeta dos Macacos (1971), Conquista do Planeta dos Macacos (1972) e Batalha pelo Planeta dos Macacos (1973).

Em 2001, nosso querido Tim Burton decide fazer uma visão nova do Planeta dos Macacos (segundo suas declarações, não é um remake). Com efeitos especiais amadurecidos e um diretor excelente, o filme tinha tudo para ser um sucesso; porém vimos uma decepção. Obviamente a ideia do filme é impressionante por si só, o que salva a reinvenção de Tim, uma vez que nos frustramos ao ver um filme mediano, sem tantas emoções (com exceção da surpresa do final). Claro, é uma interpretação do diretor, logo não vou comparar os filmes; mas é válido comentar que o filme torna-se previsível no momento em que Leo (astronauta que, após passar por uma nuvem estranha no espaço, viaja no tempo e cai no planeta estranho) decide juntar o grupo de humanos para enfrentar os macacos e seu general Thades (aliás, a atuação de Tim Roth foi um ponto positivo). Essa parte torna o filme inteiro um clichê e uma decepção para quem esperava um longa memorável. A produção ganha um ponto positivo no detalhe do andar e o jeito dos macacos (os atores passaram por uma escola para aprender a “ser” um macaco), pela maquiagem, a qual parece muito real e com os traços dos atores; e pela excelente atuação de cada ator que participou.


Chegamos, enfim, em 2011 com A Origem do Planeta dos Macacos, um filme que cumpre bem sua promessa: explicar como iniciaria a revolução dos macacos que resultaria na dominação do planeta por eles. É sim uma história à parte da saga original, não tem conexão com as outras histórias a não ser pela ideia de revolução dos símios. O filme ganhou prêmio por melhores efeito visuais, melhor direção (Rupert Wyatt) e melhor ator coadjuvante para Serkis (brilhante performance). Como o longa não tem intenção de ser diretamente ligado aos anteriores, não se torna desconexo e traz um lado muito interessante de como a ciência moderna teria dado início à inteligência dos macacos. Liderados por Caesar, um macaco com os genes modificados, esses primatas pouco a pouco vão se unindo para juntos reivindicarem seu habitat (eles viviam presos em cativeiro). As cenas são deslumbrantes e o desempenho dos macacos computadorizados é incrível. Cada detalhe de como eles vão se humanizando e adotando características que os ajudam a enfrentar os humanos é de tirar o fôlego. O filme tem uma sequência prevista para 2014 (Dawn of the Planet of the Apes) e que podemos nos animar, já que seu primeiro foi surpreendente e não comprometerá os originais.
 

Assistir a todos vale a pena para tirar conclusões próprias, mas sugiro que comece pelos novos, assim não se decepcionará ao ver a diferença entre eles e os originais. Os filmes recentes são bons filmes com rumos bem diferentes da ideia inicial, neste caso devemos analisar a obra isoladamente e pela intenção de ter apenas a revolução dos macacos como ponto em comum com as anteriores.