Um filme que foi lançado em 1999, porém não nas telas do cinema. “Piratas do Vale do Silício” é um filme que traz, em forma de “documentário-narração”, um pouco da história de Bill Gates e Steve Jobs; mas mais importante: o início dos atritos entre as grandes empresas de computadores. Apesar de ser um pouco velho, o filme é o mais próximo que podemos achar sobre histórias dos personagens principais; além de ser divertido e intrigante.
O diretor Martyn Burke coloca atores como Joey Slotnick (Steve Wozniak) e John DiMaggio (Steve Ballmer) em situações de intervenções que tornam aproximam quem assiste com o contexto vivido na cena. Com tantas cenas inusitadas e acontecimentos um tanto bizarros, é quase automático questionarmos a veracidade do filme.
Bill Gates declarou em seu blog na época que o retrato de seu personagem era “razoavelmente preciso”. Essas palavras vagas são melhores compreendidas quando Wozniak diz publicamente que as cenas são verdadeiras, foram de fato vividas, mas as características dos personagens foram tiradas das notícias que saíam na época e exageradas. Vemos Gates o tempo todo como alguém que tenta roubar, manipular Jobs até conseguir seu projeto. Decerto, ele usou o projeto da Apple para o computador da Microsoft, então o diretor utiliza-se dessas “brechas” para definir a personagem (e até explicar a razão de suas ações). Já Ballmer, defende Bill, teve sua imagem distorcida. Disse também que não acreditou que criaram uma imagem de Ballmer daquela formar.
O filme, a princípio, parece prezar a imparcialidade e isso foi alcançado com o exagero das características de Jobs; sua ligação com o meio espiritual ou sua dieta de apenas coisas naturais foi retratada de um jeito que o tornou um verdadeiro hippie. Um hippie que foi vendido na primeira oportunidade de ascensão. E no final essa imagem é invertida para um rico ingênuo que adora chamar a atenção dos holofotes. Em uma cena na praia, Jobs aparece no alto jogando frisbies para seus empregados, colocando-o em posição divina em relação aos subordinados. Aliás, Wozniak também relatou que nunca teve discussões com o parceiro, como relatado no filme. Acrescenta ainda que quiseram usar suas divergentes personalidades para criar algo maior do que realmente era.
Esse é um típico filme que agrada tanto adoradores dos produtos das empresas quanto “geeks desenvolvedores”. É irônico e satírico em quase todas suas cenas, mas consegue manter-se fiel aos eventos que realmente aconteceram e explicam bem a época em que as empresas foram fundadas e ganharam o mundo. É um filme, oras, por que não exagerar e trazer as características mais marcantes de cada personagem? Isso temperou o filme e passa impressões diferentes sobre as personagens em cada fase do filme, contudo conservando as principais. O método alternativo de mostrar a história convence até mesmo na ligação que cria entre Bill Gates e o Big Brother (“1984” – George Orwell), o que foi uma hipérbole e a prova que o diretor provavelmente adora um produto da Apple.




