Nascido em uma pequena vila da Nova Zelândia de apenas 800 habitantes (Pukerua Bay – 31 de outubro de 1961), Peter Jackson é uma figura e tanto. Quando o assistimos dirigindo, andando pelo set descalço e de shorts é nítido que se trata de um diretor diferenciado. Mundialmente conhecido e muito bem aclamado pelas adaptações cinematográficas de J.R.R. Tolkien, Jackson sonhava com a vida de cineasta desde sua infância: sempre “brincando“ com a câmera de 8mm de seus pais, dando uma prévia de seu talento com o equipamento.
Em 1966, o pequeno Peter teve contato pela primeira vez com a TV e logo se tornou um aficionado em filmes, sendo Thunderbirds seu programa favorito e King Kong (1971) sua maior inspiração; até porque o diretor realizou esse sonho de infância ao recriar a história do famoso macaco em 2005. Um tema bem frequente em seus filmes caseiros e amadores era o de guerras (como a Segunda Guerra Mundial), com soldados bem uniformizados para as dramáticas cenas (sobrava para os amigos, vizinhos e familiares).
Sua paixão por filmes era tamanha que Jackson abandonou a escola com 16 anos porque, segundo ele, precisava trabalhar com qualquer coisa para juntar dinheiro suficiente e bancar suas produções. Tudo tem seu preço: ele gravava o que podia nos domingos, único dia de folga devido à sua intensa rotina de trabalho. Sua primeira “grande produção” foi um filme sobre alienígenas que comiam carne (Bad Taste) que rendeu 30.000 dólares e, após a produção, 200.000 dólares, tudo financiado pela Comissão de Filmes da Nova Zelândia. O filme saiu para mais 12 países. Nada mal, não?!
Tendo faturado $21 milhões em filmes, Peter engajou-se em um desafio: adaptar a trilogia da novela de “O Senhor dos Anéis”. O fã de Tolkien leu quando tinha 18 anos pensando “não vejo a hora de quando fizerem o filme”. 20 anos depois, ele teve que pôr a mão na massa já que estava “impaciente”. Conseguiu os direitos autorais em 1997 e, em 2001, lançou “A Sociedade do Anel”. Sua empolgação com as produções é assustadora: no embalo, chegaram a filmar por 264 dias consecutivos. Quando lançou o último filme da trilogia, consagrou-se como um dos maiores diretores da história (e vivo ainda!) e ainda tirou o, até então desconhecido, ator Elijah Wood do anonimato. Foi uma longa briga para conseguir que a New Line Cinema se convencesse a financiar a produção, a qual contava com menos de 20 pessoas em um pequeno espaço com vários computadores (criando técnicas de efeitos especiais).
Até sua esposa teve grande influências em sua vida, ajudando-o, por exemplo, a escrever o roteiro de “Heavenly Creatures” e “The Lovely Bones”. Ele a conheceu como a garota que insistia em participar da produção de sua peça que não tinha papel para mulheres e, mesmo assim, ela “participou” ajudando no cenário. Ela até recebeu crédito por melhor adaptação cinematográfica, música e fotografia. Tiveram dois filhos, Billy e Katie.
Esse raro diretor, dedicado e inovador, foi responsável por grandes produções que marcaram o cinema. Sua história é tão criativa quanto sua mente, como o fato de comprar (após a trilogia de Tolkien) uma companhia de filmes que o rejeitou quando tinha 17 anos e muitos outros fatos. E o melhor: ele ainda está vivo. Após “O Hobbit”, ainda haverá muito sobre o que se falar desse artista.




