Não é nenhuma novidade escolher entre 2D e 3D (hoje em dia) quando vamos assistir a um filme. A banalização desse recurso se deu de uma forma rápida a ponto de já termos um sistema de conversão 2D para 3D em casa com “apenas” 4 mil reais. A indústria do cinema sempre está um passo à frente e, em menos de 3 anos, colocou-nos na era das 3 dimensões.
Em 2009, James Cameron lançou seu grande projeto “Avatar”, o qual foi um marco na história do cinema. Esse filme introduziu o 3D definitivamente e querem até aplicar a tecnologia nos smartphones (além dos experimentos existentes). A empresa de tecnologia de James trabalhou arduamente por longos 9 anos para aprimorar o precário efeito produzido pelo 3D anaglifo (aquele que utiliza-se um óculos com uma lente azul e outra vermelha) que é desconfortável e deforma a imagem/cor.
Quando as televisões passaram a ter uma tecnologia tão poderosa, a diferença entre um filme em casa e no cinema era a preferência. A qualidade de áudio e de imagens é surpreendente nas TVs atuais, forçando o cinema a se atualizar. Apesar de já haver experiências em 3 dimensões (iniciadas em 1952), o que separou o mundo da televisão e do cinema foi a produção de filmes em um 3D decente. “Avatar” foi filmado por uma câmera que possui duas lentes com certa distância entre elas, simulando a visão humana; o que faz um 3D instantâneo e tão real quanto a realidade que vivemos. Mas é claro que a revolução durou pouco.
Em um anseio por produzir 3D, muitas pessoas esqueceram que, apesar de ser caro, é necessário investir em tecnologia para fazer filmes realistas. Filmes como “Fúria de Titãs” foram o início da decepção em relação ao 3D. Após serem filmados em 2D, a equipe converteu para 3D em apenas 8 semanas. É óbvio que o resultado não foi agradável. A conversão é muito simples, valorizar objetos para que o cérebro tente fundir a imagem em segundo plano com a que está em primeiro; isso produz um leve efeito de 3 dimensões.
Não satisfeitos em transformar qualquer filme em 3D, decidiram criar TVs que façam essa conversão. E assim começou a banalização do recurso cinematográfico dos anos 2000. A ideia de disponibilizar a tecnologia para qualquer um (que tenha renda suficiente) é excelente, todavia o problema trazido por essa popularização é a falta de qualidade das imagens (filmes de 2005 deformados para parecer 3D).
Lançar clássicos do cinema para que todos possam experimentar a sensação de nostalgia, com áudio melhorado e imagens mais nítidas, é uma ideia válida. Entretanto, deixando a paixão pelos filmes de lado, o efeito 3D é desnecessário. Imagens filmadas em 1980 não produzirão um filme bom além das 2 dimensões, mas esses são exceções.
O recurso 3D mudou nossa experiência com os filmes, mas será que não deveria haver uma preocupação maior com a qualidade? Mais válido dizer que é 3D ou sentir-se dentro da situação proposta? Enquanto temos cada vez mais acesso às novas tendências tecnológicas, os filmes têm que se empenhar muito mais para trazer sensações únicas e apaixonantes. “The Hobbit” com seus 48fps nos lembrou o que é sentir as 3 dimensões, agora aguardamos com uma expectativa ainda maior a segunda parte de “Avatar”.




